5 de agosto de 2021

Nesta quinta-feira será liberado pelo IML em João Pessoa-PB o corpo de Patrícia Roberta, mais um caso de feminicídio

Foto: reprodução do Instagram @Roberta_Pathy

O corpo da vendedora pernambucana Patrícia Roberta de 22 anos ainda se encontra no Instituto de Polícia Científica (IPC), em João Pessoa e o procedimento de até 48 horas é de praxe, devido às investigações. O apontado como autor da morte dela até o momento é o tatuador Jonathan Henrique Conceição dos Santos, de 23 anos, acusado de feminicídio e ocultação de cadáver.

Segundo a delegada Emília Ferraz, foram solicitados exames toxicológicos, sexológico e material subungueal (embaixo das unhas), para saber se ouve confronto com o acusado e tentativa de defesa da vítima. Ainda conforme a delegada, será coletado material da região íntima do corpo da vítima para saber se foi cometida violência sexual. 

O corpo de Patrícia foi encontrado nessa terça-feira (28) em um matagal no bairro do Novo Geisel, após seis horas de buscas. O corpo que já estava em avançado estado de decomposição foi encontrado enrolado com lençol e plásticos e envolto com fitas adesivas, sem sinais de tiros ou facadas. Somente a perícia vai poder esclarecer a causa da morte. A hipótese inicial é de que ela tenha sido morta por asfixia, por sufocação direta ou por estrangulamento.

A perícia também coletou vários objetos encontrados no apartamento do suspeito, como livros de magia negra, bruxaria, hipnose e uma espécie de altar, onde alguns pertences estavam dispostos. Os peritos também acharam uma lista com o nome de pelo menos 22 mulheres, entre eles, o de Patrícia, além de indícios de acesso à “deep web”. Todo esse material será analisado pela equipe de investigação e usado para traçar o perfil psicológico de Jonathan. 

Patrícia e Jonathan eram amigos de infância e se conheciam há mais de 10 anos. Na época da adolescência, a família inclusive chegou a proibir o contato entre os dois. Segundo o pai da jovem, eles nunca aprovaram a amizade de Patrícia com o rapaz.

Vítima e acusado chegaram a estudar juntos no período em que Jonathan morava em Caruaru, Pernambuco, segundo a mãe de Patrícia. Na época da adolescência, a família inclusive chegou a proibir o namoro e o contato entre os dois.

Após essa desaprovação, os dois foram perdendo o contato, até que Jonathan saiu de Caruaru e veio morar em João Pessoa. Patrícia se casou com outro homem, mas logo se separou e então as conversas com Jonathan foram retomadas através da internet.

Segundo a delegada Emília Ferraz, durante a reaproximação virtual, Jonathan convidou Patrícia para conhecer a capital paraibana e ela acabou aceitando. A jovem saiu de Caruaru na última sexta-feira (23) para ficar na casa do rapaz. 

O pai de Patrícia não sabia nada a respeito da viagem, apenas a mãe dela. As duas conversaram por mensagens de Whatsapp até o domingo (25), por volta das 11h. Depois disso, a filha não respondeu mais as mensagens, o que causou preocupação na mãe, que imediatamente comunicou ao pai o que estava acontecendo. 

Ambos vieram para João Pessoa e prestaram uma queixa do desaparecimento da filha na Delegacia de Polícia Civil e após as buscas, a Polícia Militar encontrou o corpo da jovem nesta terça-feira (27) em um matagal no bairro Novo Geisel, cerca de dois km do apartamento onde o suspeito mora.

O suspeito foi encontrado na casa do amigo Marcos Melo dos Santos na noite ontem, no bairro de Mangabeira. Ambos foram presos. No local, a PM encontrou a motocicleta que pode ter sido usada pelo suspeito para transportar o corpo da vítima durante a madrugada de terça-feira, cuja ação foi captada por câmeras de segurança.

Jonathan está na carceragem da Central de Polícia Civil e se manteve calado por orientação de seu advogado de defesa Raphael Garziera, que comentou a hipótese de outros envolvidos no assassinato, embora revele que ainda não teve acesso à versão dele da história: “Não conhecemos os detalhes, não tivemos acesso a praticamente nada. Não pude ouvir os detalhes, mas ele não confessou o crime, diz que não foi ele”.

Jonathan tem histórico de cometer atos infracionais análogos aos crimes de furto e ameaça, segundo a polícia, que segue investigando o caso, inclusive a existência de possíveis cúmplices. O prazo para conclusão do inquérito é de 10 dias, mas a delegada Emília Ferraz adiantou que deve pedir a prorrogação do prazo devido à demora para o resultado dos exames.

Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (28), pela delegada Emília Ferraz trouxe a revelação de que o acusado possui uma namorada há 1 ano que também diz estar esperando um filho dele aos 5 meses de gestação. A jovem disse também que esteve com ele no final de semana usando drogas no apartamento em Mangabeira, no período que coincide quando Patrícia ficou trancada no apartamento dele em Gramame. Ela destaca que Jonathan a deixou na casa de sua mãe na noite do domingo.

A namorada do suspeito disse ainda que os livros de magia negra, bruxaria e hipnose que estavam no apartamento de Jonathan eram dela e que ela gostava de consumir esse tipo de conteúdo. Acrescentou que essa casa em que estavam pertence a um travesti com o qual Jonathan também mantém um relacionamento.

Sobre a vinda de Patrícia para o apartamento do namorado, ela disse que não sabia de nada, apenas que os dois teriam tido um relacionamento durante a adolescência, no período que estudaram juntos. Em outro momento revelou que ele chegou a comentar sobre a possibilidade do encontro com Patrícia na sexta-feira.

Algumas mulheres fizeram denúncias à polícia sobre comportamento agressivo e abusivo de Jonathan, o que deve ser analisado nas investigações. Segundo a delegada Emília Ferraz, as denúncias são sobre a conduta dele contra pessoas do sexo feminino.

A delegada Emília disse que o caso está sendo investigado e que nenhuma possibilidade será descartada durante o trabalho de investigação, inclusive de um possível envolvimento da namorada do suspeito no crime, mas que somente após a conclusão das investigações é todas essas respostas serão dadas.

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